domingo, 9 de março de 2008

PERGUNTAS (2)

As perguntas! Quantas tragédias teriam sido evitadas se os curiosos por trás de algumas delas tivessem calado a boca. Perguntaram levianamente, quando descobriram o átomo, para que serve? Deu no que deu...
Talvez uma destas nunca tenha sido feita a você. Mas, quem sabe, algum dia a ocasião apareça e é bom estar prevenido.
– Você pode me emprestar mil pratas?
Se feita por um amigo, este já sabe da crítica situação financeira em que você navega. Aí, você fica sabendo que a situação dele está pior. Mas, se a interrogação partir de um simples conhecido e você cair na bobagem de emprestar, só lhe resta consolar-se lendo a paródia do ditado: “Quem dá aos pobres e empresta, adeus”.
– Deixa eu dar uma olhadinha na sua coleção de breguetes?
Primeiro, é necessário que haja uma coleção de breguetes, para justificar o desejo de vê-la. Depois, o interesse do inquiridor, muito além da coleção de breguetes, pode estar ligado a outros atrativos que você possa ter e bem menos condicionado a uma simples “olhadinha” do que você pensa.
– Amor, você gosta de mim?
Tem hora que dá vontade de falar que não, quando a pergunta é evidente conseqüência de ciúme excessivo. Mas cadê coragem? Se a pergunta contém um “ainda”, é sinal concreto, no mínimo, de que o “amor” gosta (ou atura) há bastante tempo, independente do teor da resposta.
– Foi legal a sua primeira transa?
Felizmente esta, em geral, fica restrita a entrevistas com artistas de novelas ou da música popular. O entrevistado deve ficar imaginando qual é o tipo de interesse que o entrevistador ou o público tem em saber da qualidade do seu primeiro relacionamento sexual, muitas vezes já na pré-história de mais de cinqüenta anos. Mas acaba concordando em responder, mesmo sabendo que vai dar o que falar. Pois, se a televisão já liberou geral, não é ele ou ela que vai ficar para trás e perder a condução da mídia.
O primeiro encontro amoroso pode ter sido uma experiência de prazer mesclada com o receio de não agradar ou falhar. O entrevistado, então, fica com aquela cara espichada na telinha, obrigando-se a dar um sorriso amarelo enquanto fala. Ninguém quer ficar na berlinda admitindo que a primeira transa não foi tão legal assim. Mesmo prevenida de que ela vai ser feita, a maioria dos entrevistados acaba respondendo de forma encabulada, sepultando definitivamente elaborados estilos de vida “prafrentex”.
Agora, se o entrevistado conseguiu um bom relacionamento no primeiro encontro, e conta isso de modo natural, ninguém acredita.

Um comentário:

Luiza Miranda disse...

Oi Lá,
Existem mais perguntas duvidosas do que nossa vã filosofia.
Uma das piores é quando encontramos uma linda mulher barriguda e perguntamos: vc está grávida? É o fim se ela disser que não!
Dá uma bela crõnica...
Adorei suas colocações.
Bjs,
Lulu